Com 29,78 m, Rio Negro tem novo recorde e ultrapassa cheia de 2009
Em 2009, cota do rio Negro chegou a 29,77 m; marca histórica foi batida.
CPRM diz que ritmo de subida do rio deve diminuir nos próximos dias.
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Manaus, tentam se locomover nas áreas alagadas
(Foto: Carlos Eduardo Matos/G1)
De acordo com a última previsão da Companhia de Pesquisa em Recursos Minerais (CPRM), feita no dia 30 de abril, o nível do rio Negro deve subir no máximo até 30,13 m. O superintendente regional da CRPM, Marco Antônio, disse ao G1 que o ritmo de subida do rio deve diminuir nos próximos dias.
"Com a cheia, a extensão do rio aumentou, dificultando o aumento do nível da água", explicou. Segundo ele, a cota deve permanecer acima de 29 m entre o período de 70 a 80 dias. Na cheia de 2009, o rio permaneceu acima de 29 m por 79 dias. Neste ano, o rio ultrapassou a medida no dia 24 de abril.
A cidade de Manaus está na lista das 52 cidades que decretaram situação de emergência por conta do avanço dos rios no Estado. Na capital, pelo menos 11 bairros estão alagados e cerca de 20 mil famílias foram afetados pelas inundações.
A situação é mais preocupante em bairros como Glória, Presidente Vargas, São Raimundo, São Jorge, Educandos, Betânia e Raiz, onde diversas casas estão submersas. Todos eles, localizados na área central de Manaus, foram prejudicados pela cheia de 2009.
Do lado de fora da casa de Ivone, as pontes de tábua são improvisadas entre casas habitadas e abandonadas; vielas surgem, e o conjunto de residências se transforma em um labirinto perigoso para quem não conhece a área, onde pessoas e animais, fogem da força do rio, que avança e invade que há pela frente.
dez pessoas em uma residência que, agora, devido à
cheia, tem somente um cômodo (Foto: Marcos
Dantas/G1)
Ivone se emociona ao falar da vontade de deixar o local, e conta que animais perigosos ameaçam a integridade dos moradores da casa (veja abaixo a fachada da casa dela antes e depois do alagamento). "Eu quero sair daqui, não quero que meus filhos e netos passem por esse sofrimento. Perdemos coisas que lutamos muito para conquistar. Além disso, já apareceu uma cobra e um jacaré que quebrou o cano de um vizinho", conta.
O técnico em eletrônica Pedro Martins, de 45 anos, mora há 28 na casa que está completamente inundada. "Minha casa está a seis metros de distância do chão, e hoje está com água até a metade. Construí pontes para não ter que pisar na água, o banheiro é improvisado dentro de casa, e o esgoto, despejado no rio", diz.
A Rua dos Barés, também no Centro, ficou inundada pela cheia de 2009. O local voltou a ser alagado em 2012. Desde o começo do mês, comerciantes tentam se preparar para o avanço da água.
Segundo a Prefeitura, a inundação deve expulsar os 840 feirantes da Manaus Moderna. Uma uma feira provisória vai abrigar os permissionários, localizada na orla da cidade. A feira, segundo a Prefeitura, está sendo construída na Avenida Lourenço Braga. A previsão é concluir a construção dentro de dez dias.
O Plano Emergencial de Resposta aos Desastres possibilitará a construção de pontes de madeira, além de ações básicas de saúde, como a distribuição de medicamentos e cartilhas, e também a concessão do 'Cartão Enchente', que doará um benefício financeiro no valor de R$ 400 para pessoas cadastradas e comprovadamente prejudicadas pela enchente.
Um programa emergencial de ajuda financeira às famílias afetadas também foi anunciado pelo poder municipal. O valor do auxílio de R$ 600 será destinado para as famílias cadastradas pela Defesa Civil Municipal. O dinheiro vai ajudar as pessoas em dificuldades extremas.
A Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos informa que 3,8 mil famílias já foram cadastradas nos bairros São Raimundo, Glória e Raiz. Ainda restam outras áreas, como São Jorge e Presidente Vargas (Matinha). Por isso, a previsão é que 6 mil famílias sejam cadastradas pela Prefeitura.
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